Sobre o Espelho que sou

Atriz Thais Barbeiro_Por Jeff Porto_5

“O mundo é como um espelho que
devolve a cada pessoa o reflexo
de seus próprios pensamentos.
A maneira como você encara a
vida é que faz toda diferença..

Luís Fernando Veríssimo

Eu me olho no espelho, e percebo a passagem do tempo… as rugas, o olhar que já não é mais o mesmo. Alguns cabelos brancos que começam a surgir de maneira rebelde…Faço uma pausa para o chá… os olhos se fecham, sinto o vento tocar a pele… e um longo suspiro se precipita carregado de vivências.Tudo isso valeu à pena – sem dúvida – e, como na cena final de um filme da minha própria vida… me vejo olhando para trás. Recordo de forma saudosa todos os amores e as dores que tive. Olho fixamente nesse espelho, e crio pensamentos do que quero me tornar um dia. Sempre há tempo! É difícil conhecer-se bem – tão necessário – que parece uma conquista do corpo e também da alma… saber – com precisão – o que gosto e o que não combina mais comigo. Não existe um manual para saber-se – deveria, mas não há – por isso é preciso experimentar todas as coisas da vida. Estar aberto ao novo, e se permitir olhar todas as coisas, de um ponto de vista diferente… dessa maneira, as situações da vida que, pareciam tão improváveis, mostram-se corriqueiras. O ontem quando se veste de hoje se permitimos. É clichê, mas é verdadeiro: não somos mais o que éramos. E existe o fácil e o difícil? …de certa forma sim, porque depende da maneira como observamos as coisas. Se aprendemos ou não com os nossos erros e acertos. Se somamos os acontecimentos. Se prestamos a devida atenção nas oportunidades… se aceitamos ou recusamos o que a vida nos propõe. Eu sou o resultado de tudo que fiz até hoje… é através de tudo que fiz ou deixei de fazer que me construo e desconstruo um sem fim de vezes. Sendo outra… eu mesma… em cena, em textos alheios ou em escritos meus, na vida que imita a arte e vice e versa. Acredite: nem sempre estou satisfeita… às vezes, não acho justo o resultado final, de tal maneira que dá vontade de sentar e chorar – de raiva e ódio devidamente misturados – me inquieto… respiro fundo e como quem reflete, repasso milhares de vezes os meus passos – como um texto que se decora a exaustão das leituras – em busca de possíveis explicações para ser melhor numa próxima vez. Nunca há de me faltar dedicação.     Confesso, minha maior ambição é ser um dia quem ainda não fui… e meu maior desejo é ser o que o passado moldou através do tempo – muito mais forte – sempre… e assim sigo nesse ato de colecionar possibilidades, acumulando experiências.

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