Eu amo teatro

“Sei que além das cortinas  são palcos azuis
E infinitas cortinas com palcos atrás
Arranca, vida – estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa, pulsa, pulsa mais”

Chico Buarque

Eu nasci para o palco – (esse lugar onde tudo se multiplica). – minhas brincadeiras infantis eram teatrinhos de cenas curtas, com cenário-figurino-e-maquiagem -, onde eu me apresentava com minhas primas naquelas famosas festas de família e, também nos carnavais.
Essa paixão era tão forte que quando completei meu dez anos – no ano de 1993 – peguei a antiga lista telefônica e procurei por um bom curso de teatro em Santos, onde morava na época. Achei a antiga Galeria Santista de Arte, e pedi para minha mãe fazer a minha matrícula o quanto antes.
Ao entrar nesse “palco” eu soube que seria um caminho sem volta porque Teatro é um caso de amor infinito. No palco somos uma folha em branco que se transforma em qualquer coisa. Somos todos e não somos ninguém. Os personagens se revelam na pele e a alma parece se ausentar para apreciar a transformação. Simplesmente acontece.
Ainda no mesmo ano, comecei minha carreira no teatro amador da cidade com a peça infantil “O mistério do Cofre” – em seguida fui chamada a participar de um teste para o espetáculo infantil “Spray Doidão” – com essa peça eu percorri o país com minha trupe teatral em plena infância.
Muitas outras montagens se sucederam, mas foi com a adaptação de “A Megera domada” de William Skakespeare, no papel da protagonista “Catarina” – aos 14 anos – que conheci meus primeiros prêmios. Em 1998 fui premiada como atriz revelação no FESTA – e melhor atriz no Festival SESI Coca-cola de teatro.
Neste momento eu tinha ainda mais certeza de que o meu sonho que estava apenas começando – em 1999 mudei para São Paulo onde tive diversas oportunidade interessantes na TV, mas o teatro seguia sendo o meu grande amor e foi pra ele que voltei no ano 2000 – com então dezoito anos – entrei para o CPT (Centro de Pesquisa Teatral) do Diretor Antunes Filho – lá tive a oportunidade de ensaiar ao lado das grandes atrizes como: Juliana Galdino e Arieta Corrêa na peça “O jardim das Cerejeiras” e “Prometeu” no papel da IO.
Lamentavelmente,  Antunes desistiu de estrear estas montagens – mas foi um grande aprendizado porque hoje sei muito sobre a arte do ator e sobre a arte da vida. Nunca vou me esquecer dos ensinamentos do grande Antunes. Um verdadeiro mestre dos palcos que fez com que eu dividisse minha carreira de atriz em antes e depois de Antunes Filho.
Os nossos grandes atores passaram pelo palco – levaram multidões a platéia – e, deixaram para trás a si mesmo para levar ao outro aquele ser que surge quando a maquiagem começa a desenhar um alguém novo. Ali mesmo, na frente do espelho. Naquele canto de solidão tão necessário. E lançar um último olhar para si mesmo e dizer “adeus” ao que somos para dar as boas vindas a esse ser que se apodera das nossas vísceras.

Há toda uma nova geração de atores que parece recusar o teatro – talvez porque os palcos não brindem o ator com tanto brilho, glamour e, o que o palco nos oferece pode ser pouco para eles. Afinal, o teatro nos brinda com um público vivo – sentindo a nossa energia em cena – a nossa metamorfose. É uma doação plena, tanto de quem interpreta e convence quanto de quem assiste e se deixa convencer.

A televisão tem maior alcance, mas veja esses novos atores em cena, são mecânicos e se valem apenas de suas imagens – são atores – e, eu entendo porque alguns deles dizem não gostar de teatro. Porque na verdade, o palco não os querem, porque o tablado é um lugar sagrado. O olhar não está longe, alheio – está logo ali – podemos tropeçar nele. Com certeza não é fácil, mas quando ultrapassamos a barreira do incomodo – é simplesmente sensacional…

Eu sou vida e vida posso transformar quando nos palcos estou a pisar. Sim Teatro!

Pra sempre vou te amar.

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