Como viver um grande amor

Foi assim, eu vi você passar por mim, e quando pra você eu olhei, logo me apaixonei… Wanderléia

Uma história de amor1 (2)

Era uma tarde ensolarada onde duas crianças se olharam pela primeira vez. Ela, loirinha, olhos castanhos, pele branquinha. Ele, um menino claro com olhos azuis encantadores. Os dois sorriram, e já se sabiam amigos. Eram vizinhos. Moravam na mesma rua. Brincavam juntos todos os dias com o mesmo grupo de amiguinhos e primos.

Cresceram, viraram adolescentes, trocavam confidências e num baile de carnaval o sorriso virou um beijo e um amor nasceu ali. Um namoro de juventude cheio de brincadeiras e brigas da mocidade. Ele aprontava demais. Era um rapaz arteiro, bonito, cabeludo, motoqueiro. Anos 70. Tardes de pôr do Sol juntos. Viagens e muitos momentos de paixão. Assim passaram-se dez anos de romance. E entre tantas brigas infantis o namoro chegou ao fim. Cada um seguiu sua vida. A mãe da moça não gostava muito dele, queria algo melhor para a filha. Sonhava em casá-la com um rapaz rico, o que ele não era…

A moça por insistência da mãe ficou noiva de um outro rapaz, que já tinha uma profissão melhor e mais juízo. Estavam comprando os móveis para mudar. Iriam casar e morar em um apartamento em São Paulo, quando a moça soube por amigos que seu amor de infância sofrera um acidente de moto. Não pensou duas vezes, correu para terminar tudo com o noivo e foi em direção ao hospital. Ela soube que seu amor poderia ficar tetraplégico, pois havia sido muito grave. Viu o quanto o amava e só pensava na besteira que estava fazendo com sua vida escolhendo ficar longe de sua grande paixão por besteiras da juventude. Neste momento percebeu que não podia viver sem ele. E ao chegar no hospital pediu ele em casamento. Sem saber se um dia ele poderia voltar a andar, sem saber se um dia ele poderia se mover como antes. Ele aceitou. E ela ia todos os dias após o trabalho no hospital visitá-lo. Todas as tardes eram momentos para namorar seu grande amigo, seu grande amor da infância e adolescência.

Um ano se foi e ele continuava no hospital. Passou a mover-se. Ganhou uma cadeira de rodas e recebeu alta. O pai dele levava os pombinhos de carro para passearem todos os dias. Deixava os dois num banquinho da praia em Santos onde moravam e depois ia buscá-los. Isso era o namoro do casal. Logo ele evoluiu para muletas, e com muito amor pode voltar a andar normalmente.

Chegou a hora do casamento, tudo lindo, lua de mel na praia, foram morar num apartamento emprestado de frente para o mar. Um ano depois nasceu a primeira filha do casal. Sete anos depois o segundo filho. Passaram por momentos difíceis juntos, muita gente da família que foi embora cedo demais. Viveram uma vida rodeada de amigos. Uma família cheia de harmonia e alegrias. Altos e baixos financeiros, batalharam muito, depois de casados ele ainda fez duas faculdades. Contaram com a ajuda de toda a família em tempos difíceis.

Aos 55 anos, ele descobriu um câncer no esôfago, e ficou dois anos em um estado de alerta, onde todos os dias ela sabia que iria perdê-lo e ele sabia que iria perdê-la. Um cuidava do outro. Os filhos ajudavam, sempre juntos. Até que ele se foi para outros planos. E ela aprendeu enfim a viver longe de quem sempre amou, desde a infância. Reaprender a viver sem sua metade, tarefa nada fácil para uma vida que se completava ao lado do parceiro.

Um história de um verdadeiro amor. Com luta e determinação. Um exemplo de relacionamento, onde duas pessoas lutaram para ficar juntas até que a morte os separou de fato. Rumo certo do destino, a única coisa que todos temos certeza, é de que um dia iremos morrer. Portanto temos que fazer valer à pena cada momento, cada pessoa especial ao nosso lado, pois não sabemos o dia que ela não estará mais lá. Somos efêmeros. Feitos de carne e osso. E o que vale nessa vida são os dias felizes que temos a oportunidade de ter ao lado de quem amamos. Seja para não fazer nada, seja para fazer muito. Como sorrir, abraçar e beijar quem queremos bem. Tenho muito orgulho de ser filha deste casal, e ter vivido grande parte dessa história junto deles. Enfim, foi assim. Meus pais. Início da minha história. Fui feita nesse amor. Saudades do meu pai.

M1

Na foto, meus pais. No último aniversário de casamento que comemoraram juntos.

DSC_3814

Minha mãe nos dias de hoje. Meu exemplo de força e atitude.

3 Replies to “Como viver um grande amor”

Deixe uma resposta