Atriz Thais Barbeiro entrevista a escritora italiana Lunna Guedes

Hoje tenho o prazer de entrevistar a minha querida amiga Lunna Guedes…

Escritora nascida em Gênova na Itália e, que há dez anos vive no Brasil, mais precisamente em São Paulo… é blogueira e fundadora do selo Plural Scenarium responsável pela produção de Revistas e Livros em formato artesanal. É editora da Revista literária Plural.

Lunna adora ler bons livros. É uma cozinheira de mão cheia (como boa italiana) e você pode encontrá-la pelos cafés do bairro de Moema na cinza São Paulo, escrevendo em seu computador ouvindo música clássica ou bom Rock.

Ela é um verdadeiro exemplo para todos que amam literatura e, querem assim como eu, começar a escrever…

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Tha: Lunna como começou seu interesse em tornar-se escritora?

Lunna: Minha lembrança mais antiga é junto a um caderno: escrevendo na terceira pessoa do singular. Sempre gostei da palavra e de suas variáveis. Em inglês, francês, italiano e português. Sempre gostei de ter diversos sons dizendo uma mesma palavra. E sempre gostei de desenhar uma realidade a partir do meu eu interior – esse imaginário que sorri vilanias e maldições como quem constrói castelos de areia e fica a observar a força das ondas…

Tha: Qual a dica que você daria para aqueles que sonham em tornarem-se escritores assim como você?

Lunna: Dedicação – a escrita é a mais solitária das artes e, mesmo assim você lida com uma multidão dentro de você porque do lado de fora existe um palco onde você encena seu monólogo, mas sem público para aplaudir no final. E quando você conclui um escrito o que resta é o silêncio e um vazio sem fundo que talvez nunca mais venha a ser preenchido novamente. Você morre milhares de vezes e, sem saber se voltará a viver novamente… Ser escritor é estar em constante estado de coma…

Tha: Quais os autores que você mais gosta? Quem é sua maior inspiração?

Lunna:Tenho os meus pares. Amo Zafon. Tenho essa paixão por Jane Austen. Leio muito, mas não levo tudo que leio comigo. Já deixei muita coisa do lado de fora. Mas minha inspiração vem da escrita inglesa e francesa.

Tha: Como foi a ideia de criar seu próprio selo literário? Qual a expectativa do Plural Scenarium para 2014?

Lunna: A ideia surgiu em conversa com meu parceiro-amigo-leitor-amante-amado Marco Antonio Guedes depois que lançamos o “diário das quatro estações” em formato artesanal. O primeiro livro deu bastante trabalho. Eu tinha feito um curso de encadernação, mas não estava pronta para fazer um livro, mas fui lá e fiz. Não foi o melhor. Não ficou bom, mas eu não desisto das coisas. Quando estava a pensar o formato do segundo livro li um artigo sobre Virginia Woolf e sua editora “de quintal”. Me encantei com a ideia. Com esse passo na contramão da modernidade e principalmente com a possibilidade de dar ao meu leitor um livro todo feito por mim. Seria único, exclusivo e com uma pequena tiragem o que me permitiria saber o CEP de cada livro. Me apaixonei pela ideia porque iria de encontrou a essa frase de Fernando Pessoa que me acompanha desde sempre “primeiro estranha-se – depois entranha-se”.

A ideia foi amadurecendo e esse ano finalmente aconteceu. Ainda estamos engatinhando – estamos dando os primeiros passos, mas queremos ter uma lista de autores que irão compor nosso selo com uma escrita aguda que faça silêncio e barulho ao mesmo tempo no leitor que escolher nossas publicações…

Tha: O que você pensa sobre o Brasil em que vive? Como estrangeira qual conselho você se atreveria a dar para os brasileiros?

Lunna: Sobre o Brasil em si eu não tenho um pensamento pronto. Eu penso São Paulo que é meu país, meu estado, minha cidade. Hoje me considero paulistana de corpo e alma. Essa cidade é minha melhor metáfora. Eu sinto que fui adotada por essa cidade. Sei suas ruas, seus cenários. Sei seus tumultos e me inspiro quando caminho por suas vias. Vez ou outra eu escrevo a Mario de Andrade agradecendo a ele por ter me apresentando São Paulo. Me lembro de seus versos sempre que entro na Biblioteca que leva o seu nome ali na Consolação. Me lembro dele sempre que cai a tarde e vejo a tal “garoa” paulistana…

Mas eu acho, sinceramente, que falta coração a quem vive aqui. E quando eu digo coração, não falo de amor. Falo de entrega. Dedicação. Falta parar de culpar a cidade. De desgraçá-la com atos de vandalismos, reclamações. Falta fazer mais pelo lugar que te acolhe e, que as vezes te manda embora. Eu digo sempre “não é o lugar, somos nós”.

Tha: Como a natureza, a chuva e o tempo inspiram a sua escrita?

Lunna: Preciso de dias de chuva para escrever – mas também preciso de dias de sol para caminhar pelas calçadas e perceber as sombras. Preciso de dias frios para sair de casa e de dias quentes para permanecer fechada. Eu tenho fases como a lua, como disse Cecília Meireles e sou todas estações da alma como disse Eliot.

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Serviço:

Lunna Guedes – Editora – Revisora e Escritora
Revista Plural e Scenarium Publicações

www.catarinavoltouaescrever.wordpress.com
www.pluralrevista.blogspot.com