As mudanças se infiltram

Não, Tempo, não zombarás de minhas mudanças!
As pirâmides que novamente construíste
Não me parecem novas, nem estranhas;
Apenas as mesmas com novas vestimentas.

William Shakespeare

 

Mudanças

Hoje senti uma brisa em meu rosto e pensei: a vida sorri apenas para me mostrar que devo aprender a dançar conforme a música… para quem sabe assim; me sentir livre ao vento. A vida sabe rir de mim e das minhas coisas… eu também aprendi a rir dela (com ela?). Os tempos mudam, as fases passam… e quando menos esperamos – temos de lidar com tudo de novo… penso em todas as mudanças que já fiz. E em quantas ainda quero fazer… como é bom poder estar aberta a isso…

Gostaria de ser maleável como o ar que se infiltra em tudo e, toma as mais diversas formas… ocupando todos os lugares, ao mesmo tempo. Queria ser assim, onipresente: estar no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em Nova Iorque e na Europa… sem ter que escolher. Mas hoje, respiro, sabendo que tudo tem o seu tempo e o seu jeito para acontecer. Escolhas devem ser feitas a todo o momento.

Ah, aqui dentro de mim, vive uma geminiana inquieta… me satisfaço com novas descobertas. Adoro explorar lugares. Sentir aromas. Revirar a vida… ver tudo de cabeça para baixo como se buscasse por outros ângulos… Mostrar desapego das coisas… eu não tenho medo de começar tudo de novo. Adoro destruir tudo para renovar. Algo como a “energia de Shiva” que, com sua dança do universo… chega destruindo tudo para abrir espaços as novidades. Acho que me identifico muito com ele!

Não há nada melhor que olhar o Sol de outros ângulos… sentir uma brisa que chega até você carregada de lugares e referências. Esta brisa te acompanha – diferente, mas ainda assim, a mesma – o céu pode ser azul ou cinza, mas ainda é o mesmo céu – está lá para nós – o que muda é o coração… os sentimentos: a alegria ou a tristeza temporária. 

Conviver com chegadas e partidas é necessário… fazer as malas e ir para um novo lugar, levando, obviamente um pouco do lugar que ficou para trás. Nada se perde da gente! Fiz isso em minha vida diversas vezes… vivi e não me arrependo. Quero sempre mais. Sofro de uma insatisfação crônica de conhecimento. 

Sigo como John Kennedy dizia: “A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro.”

   

Este post é parte integrante do projeto “Caderno de Notas – Terceira Edição” do qual participam as autorasAna Claudia Marques, Ingrid Caldas, Lunna Guedes, Mariana Gouveia, Tatiana Kielberman, Tha Lopes e Thelma Ramalho.

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Eu tive sorte

Nas grandes cidades, no pequeno dia-a-dia
O medo nos leva tudo, sobretudo a fantasia
Então erguemos muros que nos dão a garantia
De que morreremos cheios de uma vida tão vazia
Nas grandes cidades de um país tão violento
Os muros e as grades nos protegem de quase tudo
Mas o quase tudo quase sempre é quase nada
E nada nos protege de uma vida sem sentido.

Humberto Gessinger

CidadesCheiasdePassado

O tempo. Ser bucólico que mostra o quanto a Terra muda. Os ventos, sopram frases repletas de histórias no ar. Vidas ilustres, seres perdidos no meio a multidões. Paredes de casas que mostram sonhos, pessoas, lembranças. O pássaro que sobrevoa as cidades, consegue ver mundos que passam lá de cima. Cheiros que distinguem um determinado ambiente. Cores que mudam. Um prédio novo que se constrói. Eu tive sorte. Fiz boas escolhas até este momento de minha vida. Nasci em Santos, cidade portuária, onde aprendi a ver a vida pela primeira vez. Cidade de praia. Repleta de belezas e com um centro histórico belíssimo. Um local que conta muito do tipo de pessoas que vivem por lá. Descendentes de portugueses em sua maioria, assim como eu. Famílias que cultuam a união. Lembro-me de almoços de domingo, com mesas repletas de gente. Primos, tios, amigos. Tudo era desculpa para estarmos juntos. Por lá sinto um passado de familiares que já se foram. O peso dos anos mostra as vidas que passaram no meu antigo apartamento. Gente do bem. Vidas perdidas que viraram fotografias em caixas. Álbuns antigos amontoados ganhando pó nas estantes. E minha sorte se fez em abandonar tudo muito cedo e conhecer a selva de pedra. A desejada São Paulo. Por onde passei cerca de quatorze anos da minha existência aprendendo a correr. Olhar pelas janelas das casas e enxergar movimento. Ver que a vida anda depressa e que lá o tempo é outro. A verdadeira corrida para se ganhar dinheiro, conhecer pessoas, fazer bons amigos e contatos. Ampliar a rede de networking. Endurecer. Ganhar certa frieza precisa nas relações humanas, e aproveitar o calor num parque qualquer repleto de toda a vida que estes pequenos pulmões da cidade podem nos oferecer. E mesmo sendo todo este caos, continuo amando este lugar onde aprendi a ser quem sou hoje. Gosto especialmente das padarias, dos cafés, dos restaurantes charmosos do Jardins. Aprendi a ver a beleza da Avenida Paulista, a amar a história do Centro e seu belíssimo Teatro Municipal. A vida envolta em arte e cultura. Os melhores teatros, os melhores filmes, os melhores amigos. Gente doida por trabalho, que reflete isso a cada novo respirar. E chegou um tempo em que me vi pirando entre seus arranha-céus. Precisava amolecer um pouco na vida dura da Babilônia. Resolvi parar tudo e mudar novamente de karma. Mudar de vida. E hoje escolhi o Rio de Janeiro como morada. Optei por uma vida com mais ginga. Com o balanço do mar. Respirar natureza e trabalhar repleta de distrações. Um Sol que se põe, a Lua que está linda lá fora, o mar que está com um colorido azul tão especial. E a cada vez que tenho de ir para a Zona Sul, conheço uma vida boêmia, local que inspirou grandes artistas de nosso país. A música envolve a cidade. Bossa nova. Livrarias. Bares repletos de histórias de gente importante que frequentava alí. Becos. Leblon, Ipanema, Botafogo. Cada canto repleto de uma história famosa a ser contada. Algo de importante que aconteceu. Seja uma história verdadeira, um conto, ou mesmo um crime num local que chega a ser um pecado de tão violento. Tanta coisa que se ouve que chega a assustar. A grande incoerência de vidas fúteis e ricas ao lado de favelas. Pane no sistema social, racial, populacional. Turistas visitando comunidades. Vão para ver a novidade que é a vida do pobre. E nós brasileiros que assistimos o grande jogo de políticos contra a sociedade em meio a copas, estádios, elefantes brancos, hospitais aglomerados, políticos corruptos, desejos esquecidos, amores vomitados. Somos prisioneiros de histórias do passado. Somos a poeira de estrelas que precisam viver nestes locais, conhecendo seus retratos. E que venham novas descobertas, pois no Rio devo ficar por alguns anos, e depois, novas fases virão, outras memórias, outras cidades, outros países hão de me esperar.  E vou aproveitando e tentando ser feliz enquanro aqui estou a morar.

 

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Escrevo o que ainda conheço

É como se o Mar se abrisse

E nos mostrasse outro Mar –

E este – outro mais – e os Três

Fossem só premonição –

De períodos de outros Mares –

Por praias não visitados –

Estas também à beira de Mares não inventados –

A Eternidade – são os Mares que virão –

Emily Dickinson

 O amor

O que te leva a sonhar e se apaixonar por alguém?

Tenho refletido sobre isso durante minhas noites em claro olhando para a janela da varanda – respiro o ar gelado da noite sem estrelas – tomo consciencia de que o Universo é grande demais, e a única certeza que tenho é a de que estou viva… tenho um coração que bate acelerado dentro do peito e que quer tudo para ontem – tenho fome – a ansiedade por muitas vezes corrói minhas veias e toma conta de meus pensamentos como mares revoltos cheios de emoções intensas…

Quero me apaixonar – digo em voz alta – quero ver acontecer em mim para sentir o corpo em queda livre… com o amor a ser minhas asas. Os olhos fechados, vendo apenas o lado de dentro onde existe esse precipício.

…olho para trás – como se espiasse fotografias por cima de um móvel antigo – vou percebendo os momentos, revisitando os cenários, as pessoas – é onde estão também todos os homens que eu amei.

…minha mente se ocupa daquele modelo clichê que crio juntando um pouco do que resta de todas as melhores memórias para esculpir o meu sonho perfeito daquele que terá o seu lugar ao meu lado nesta vida… sinto que está próximo este encontro. Percebo seus contornos. Esboço seu sorriso. Sinto sua respiração em minha nuca. Nossos corpos se encaixam perfeitamente. Somos um só… ele dorme neste momento, ao meu lado, aqui mesmo em minha cama. Me abraça quando a manhã acontece, me detêm  um tempo a mais junto a ele na cama e, me deixa ir porque sabe que o dia chama por mim…

O nosso pior inimigo neste momento é o tempo… que impede esse encontro que é para daqui a pouco… para amanhã. Mas eu quero que seja hoje, agora. O tempo, contudo, ignora minhas vontades. Atropela-me. Canta seus ponteiros “é para quando eu quiser”… e como isso se demora! Já passou meia hora e nada… eu continuo a olhar pela janela da varanda certa de que ele esta lá fora, em algum lugar, a pensar em mim…

Os ventos trazem até mim todos os aromas… menos os dele que eu percebo no ar, em outros corpos, pensando ser o dele. Mais de uma vez, é como um ensaio, cuja cena se repete até a perfeição. Anseio em subir no palco para a grande cena! Minha alma com certeza será toda aplausos…

Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor.

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Assim passam os anos

Meto-me para dentro, e fecho a janela.

Trazem o candeeiro e dão as boas-noites,

E a minha voz contente dá as boas-noites.

Oxalá a minha vida seja sempre isto:

O dia cheio de sol, ou suave de chuva,

Ou tempestuoso como se acabasse o mundo,

A tarde suave e os ranchos que passam

Fitados com interesse da janela,

O último olhar amigo dado ao sossego das árvores,

E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,

Sem ler nada, nem pensar nada, nem dormir,

Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito,

E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme.

Alberto Caeiro

Noite

É noite. Sento em meu quarto pronta para mais um texto. As palavras se declaram para mim como o ar que eu respiro trás o aroma desta madrugada. Olho pela janela e vejo o mundo. O silêncio de vidas que dormem. Pessoas que devem estar sonhando seus sonhos inconscientes neste exato momento. Como se eu pudesse ouví-las, percebê-las, eu encontro seus pensamentos soltos no ar. Fecho os olhos por alguns instantes e percebo cada um dos desejos soltos pela brisa. Eles tocam minha pele e eu os respiro. Me alimento de cada um deles. Estas pessoas,  indiferentes a minha presença, não sabem que através de seus silêncios posso ouvir os sons mais profundos de suas mentes, de suas almas. Vidas de instantes. Vidas em transe. Noites de ar puro entrelaçadas de sorrisos. Eu percebo momentos. E reflito quanto deixamos de viver nossos mais íntimos planos. Nossa vida inteira passa num piscar de olhos, e o cruel tempo nos mostra tudo que nossos medos não nos deixaram saber. Sussurros, verdades. Pessoas que vivem suas vidas de mentira escondidas em retratos internéticos. Grandes atores de máscaras sociais. Escassos tempos perdidos em meio a fantasias não realizadas. Estantes inteiras de livros empoeirados para ler, espelhos que mostram rugas a mais e anos onde se poderia ter sido o que não foi. Posso sentir a melancolia de quem não teve coragem suficiente para assumir um ímpeto, uma vontade. Pobres daqueles que passam suas noites dormindo um sono repleto de paixões não assumidas, palavras não ditas, sorrisos e abraços não dados. Gritos presos num tempo que já se foi.

O dia de amanhã é sempre a expectativa de um novo começo. O Sol com seu brilho torna a esperança algo lúdico. Brincamos de passar os dias. Festejamos os feriados e descansamos na fatia da semana que nos obriga a isso. Ao ócio. E nem sempre queremos. Nos adequamos a forma como o tempo é dividido. E o ano que acabara de começar, já aponta um outono delicioso repleto de aromas e sensações novas. Cada estação com seus momentos. Cada vida com suas etapas. Eu reflito sobre tudo isso e percebo que minha vida, não cabe em tanto querer. Meu tempo é outro. Elástico. Amo ser o que sou. E amo cada segundo que se passa. Consigo observar o mundo de uma forma só minha. Posso sentir as tempestades, e os dias prazerosos de Sol. Os cheiros do verde mato das folhagens, ou a poluição das grandes cidades. O que importa é perceber-se nisso tudo. Um átomo de ser em meio ao universo grandioso e seus retalhos de tempo. Um circuito onde viver se torna saber se relacionar com os outros seres viventes. Aprender a amar os animais, as plantas e principalmente as pessoas, aceitando-as como elas são. Cheias de virtudes e defeitos. Adultos, eternas crianças aprendendo com as horas do dia. Com os anos que passam.

Não temo a infelicidade. Os anos ensinam que ser feliz é uma escolha, e faz parte desta infelicidade uma coleção de estados de aprendizado. Mas não quero sonhar em branco. Deixar que a vida me confunda.  Quero saber exatamente a direção das coisas e aproveitar o tempo para criar minhas vitórias. Vencendo as guerras da minha própria mente que me sabota muitas vezes. Lutando com as grandes saudades de pessoas que ficaram no tempo lá atrás. E isso é o que mais dói. Não poder trazer comigo uma mala cheia de pessoas. Só lembranças de abraços e últimos olhares que ficaram nos espaços de uma vida. Uma noite em claro, repensando o passado e refletindo o futuro. Esta sou eu agora. Um respiro que percebe um mundo de sentimentos que ainda viverei, um mundo onde o passado passou rápido demais. E brincar de viver o presente, e saber-se aqui e agora. Ser o próprio hoje. Esta sou eu e a grande, pequena mulher que vive dentro de mim.

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O melhor presente que já ganhei

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No final do ano passado em Santos, uma enxaqueca bem forte me atingiu em cheio. Insuportável. Com enjoos fortes, a claridade incomodando os olhos, as têmporas ardendo. Desde criança que sofro desse mal.

Acordei sem dar pelo meu corpo e, imediatamente fui procurar os remédios pela casa. Fazia pouco tempo que  eu tinha em casa uma gatinha – presente de meus queridos alunos – a quem dei o nome de Clarinha –, minha personagem favorita…

Eu confesso sem falso drama que nunca gostei de gatos – quando mais nova morei no apartamento de uma amiga que tinha um casal de gatos – eu simplesmente os detestava.

Clarinha soube de minha condição e não se afastou por um só momento. Meu corpo em estado de abandono no sofá da sala teve sua presença constante – ela, como se soubesse o meu exato ponto de fragilidade deitou sobre minha cabeça e, ali ficou como se pudesse arrancar de mim o mal que me acometia – fui melhorando gradativamente… A dor foi cedendo aos poucos. Meu corpo foi recuperando sua força e tudo foi voltando ao normal.

Os ventos noroestes em Santos mechem muito comigo e todas as mudanças deixam meu corpo frágil e entregue a essas alternâncias. A solidão nessas horas nos ocupa. Queremos o silêncio, o vazio, as ausências porque tudo é excesso quando a dor se apodera da pele… mas dessa vez eu tive na presença de um animal de estimação a minha cura.

Ela soube meu mal estar como ninguém antes dela. Soube a cura. O cuidado. O afago. Soube tudo na medida certa como se nos conhecêssemos há uma vida inteira – Clarinha é uma menininha peluda com toda a juventude de seus poucos meses – não sei como é o tempo para os animais, mas sei que ao lado dela terei o melhor dos meus dias. Sei que precisarei respeitar seus instantes de silêncio e quietude da mesma maneira que sei que ela me ensinará muitas coisas novas…  será a companhia de fins de tarde com sol ameno e páginas inteiras por decorar. Será meus ouvidos, meus olhos, meu sentir mais intenso e com ela serei muito mais feliz!

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Uma carta para você

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Eu tenho uma carta para você. Te escrevo porque quero te ver bem. Parece o óbvio, mas ser honesto consigo mesmo deveria ser ensinamento escolar. Toda criança já deveria aprender a ler, escrever, ser sincero com os coleguinhas e consigo mesmo. É algo tão simples e que ninguém consegue fazer direito quando muito novo. Alguns, mesmo depois de mais maduros ainda não conseguem. Às vezes eu me incluo nisso. Às vezes não. Poderia ser tão mais simples quando já se sabe o caminho do coração e da mente. Basta querer seguí-lo. Mas muitas vezes estamos sim perdidos.

É um doce cliché falar que eu admiro as pessoas que confessam suas fraquezas. Sim, eu acho-as lindas. E costumo tomar um cuidado redobrado com quem vive arrotando santidades, pois de falsos santos o mundo está repleto. Quero olhar seus olhos e poder confiar no que eles falam. Muitas vezes eles não precisam dizer nada. Eu os observo e já entendo tudo. Certas vezes posso compreender coisas mais sutis, que nem mesmo você saberia explicar. E é nessas sutilezas que se mostram as maiores verdades. Os amores perdidos, reconquistados, as falhas, as dores, os risos largos, os desesperos, a solidão, a vida cheia de sentimentos confusos ou alegrias súbitas. Eu sempre tento ajudar. Só não consigo ajudar quem não mostra querer ser ajudado. É preciso ter ânimo até para isso. Milagres não existem. E quem quer acordar para uma nova fase na vida, precisa ter força de vontade para mudar. Pisar no velho ancião de barbas brancas que existe aí dentro e reencontrar um jovem capaz de dar a vida para ter uma nova vida. Um rito de passagem. O momento de morrer, e acordar compreendendo que sempre dá tempo de fazer algo novo. De reagir. Sempre dá tempo de fazer tudo de uma forma diferente. Como uma Fênix. Confessar que não é perfeito faz de você alguém humilde que busca melhorar como ser humano todos os dias.  Eu acredito nas pessoas. E isso não é um sinal de ingenuidade minha. Eu tenho fé de que não existe o bem e o mal. Tudo sempre pode mudar. E de alguma forma o mal pode ser a semente do bem se for visto por outra ótica ou ponto de vista. Eu sempre sigo acreditando, até que me provem o contrário. O mundo é cíclico, e a ação e reação da própria vida ensinam o nosso destino. Não dá pra fugir do karma. Tudo que se faz ou se pensa gera um fluxo energético que retorna pra você de alguma forma. Basta escolher a sua maneira de viver e ver a vida. Você sempre será livre para fazer as suas escolhas, mas é um eterno prisioneiro das consequências.

Vamos fazer um trato simples? Estou aqui te escrevendo algumas palavras pedindo “ingenuamente” para você tentar se ajudar. Estou fazendo a minha parte para que isso aconteça. Eu super acredito em você. De alguma forma te ajudo a abrir os olhos e faço com que você se perceba mais. Você está realmente satisfeito com sua vida? Observe como está a sua vida hoje. Neste exato momento. O que você poderia mudar? Quais as pessoas que você poderia valorizar mais? Quem vale realmente à pena estar aí ao seu lado? O que você pode fazer para manter mais pessoas bacanas por perto e se afastar de quem te faz mal? E na sua saúde? O que você pode fazer para se alimentar melhor? Cuidar melhor do seu corpo, para se manter com mais energia? Quais são os seus sonhos? Suas mais sinceras vontades nessa vida? Se você perceber que não sabe bem, procure um sonho para sonhar. Movimente a sua vida. Crie espaços sinceros em seu coração para conhecer gente nova. Abra seu peito para se desapegar de comportamentos que não te ajudam em nada, e que só te atrapalham. Eu confio em você. E se estou te escrevendo é porque eu quero o seu bem. Vou ficar muito feliz em saber que você leu este texto e que tenta sinceramente seguir algo do que eu te peço.

Eu não sou perfeita. Tenho um milhão de defeitos. Todos eles expostos, escancarados em meus textos, em minha vida para quem quiser ver. Mas sei que sempre posso dar um pouco mais de mim para quem precisa. Hoje escrevo para você que precisa ler isso, e tento dar o melhor de mim para que você consiga encontrar o melhor de você. Hoje escrevo para mim mesma também, pois sei que posso ler isso sempre, e relembrar que uma parte de mim sempre estará aqui nestas linhas para me confortar e fazer com que eu mesma tome tento de mudar sempre que precisar. Porque o que quero para você, também quero para mim. Eu e você. Ficamos assim. No rumo dessa evolução maluca. De mentes que querem galgar uma vida mais lúcida. Eu aprendo assim a ser mais sincera comigo mesma, e desta forma consigo te ensinar isso também.

Outono e sua paz

Assim passam os anos

Dia lindo – de outono – em véspera de feriado prolongado no Rio de Janeiro –, que bom que não tenho aquela sensação de que preciso viajar no feriado para estar onde quero estar… a sensação agora é de que estou exatamente onde preciso estar: em casa…

O ano de 2014 definitivamente é o ano das mudanças pra mim… eu sei que muito mais ainda está por vir. Uma vida de escolhas. Uma vida de conquistas e estreias…  

Por enquanto, olho para trás e percebo o quanto a vida foi perfeita: os encaixes, os silêncios. O sim e o não das pessoas em momentos oportunos para que as coisas pudessem acontecer em seu tempo certo… Nada é por acaso, embora nem sempre sejamos capazes de perceber isso… É preciso refletir, mas as vezes deixamos para depois e o tempo se esvai sem que isso – um ato tão simples – seja feito. É assim que se constrói a infelicidade!

Mas hoje eu estou aqui, deitada na rede em minha varanda, ao som do piano – minha mãe tocando suas notas na sala e, eu aqui na varanda com minha gata, a brisa do mar, a noite negra com suas estrelas e a lua cheia… No ar sinto os aromas da vizinhança… percebo as pessoas em seus movimentos diversos. Somos todos tão iguais e diferentes ao mesmo tempo. Somos um conjunto de movimentos desordenados, equivocados – mas é dentro disso que tentamos nos organizar – para ser o que somos… Mais ou menos.  

Enquanto isso vou construindo frases – entre um suspiro e outro… Eu quero – concluo meu pensamento inicial – um ano repleto de expectativas e a vida que sempre sonhei pra mim. Com suas singularidades, simplicidades e coisas outras. Quero minha mente repleta de pensamentos azuis. Lembranças amarelas. Amores vermelhos e uma solidão arco-íris para momentos de recolhimentos – tão necessários – não é sentir-se só, sabe? É estar só com uma xícara entre os dedos. Uma respiração profunda e saber-se viva através de cada átomo de ar que leva para dentro todas as coisas boas da vida…

Como coisas tão simples podem fazer átomos de segundos tão felizes? O som do piano me inspira e eu escrevo. Elis Regina, Tom Jobim, Nat King Cole, Roberto Carlos, Djavan, Caetano, Adele… são sons inusitados que ouço e contemplo porque o som do piano transforma o ambiente e também a quem ouve… Eu tenho a sorte de ter uma mãe pianista.

O som se espalha pelos arredores e percebo – ao olhar pela janela – que temos platéia. Os vizinhos se amontoam em suas varandas… A solidão de repente se esvazia, se deixando preencher por aqueles estranhos e seus sorrisos largos. Divido com eles esse meu momento. É minha apoteose e talvez eles nunca venham a saber de todo esse significado que deixo transbordar em palavras… Mas eu sei e sinto esse sentimento prodigioso. São segundos de “silêncio quebrado”. Ouvimos os sons dedilhados… uma carícia dessas notas musicais em nossa mente que nos permite o sonhar em uma varanda. Tudo fica para depois, mas as coisas reais estão cada vez mais próximas, restando-me para esse momento o celebrar…

Suspiro fundo e lentamente enquanto penso “que o outono traga muitos dias e noites como esta”.

Eu amo teatro

“Sei que além das cortinas  são palcos azuis
E infinitas cortinas com palcos atrás
Arranca, vida – estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa, pulsa, pulsa mais”

Chico Buarque

Eu nasci para o palco – (esse lugar onde tudo se multiplica). – minhas brincadeiras infantis eram teatrinhos de cenas curtas, com cenário-figurino-e-maquiagem -, onde eu me apresentava com minhas primas naquelas famosas festas de família e, também nos carnavais.
Essa paixão era tão forte que quando completei meu dez anos – no ano de 1993 – peguei a antiga lista telefônica e procurei por um bom curso de teatro em Santos, onde morava na época. Achei a antiga Galeria Santista de Arte, e pedi para minha mãe fazer a minha matrícula o quanto antes.
Ao entrar nesse “palco” eu soube que seria um caminho sem volta porque Teatro é um caso de amor infinito. No palco somos uma folha em branco que se transforma em qualquer coisa. Somos todos e não somos ninguém. Os personagens se revelam na pele e a alma parece se ausentar para apreciar a transformação. Simplesmente acontece.
Ainda no mesmo ano, comecei minha carreira no teatro amador da cidade com a peça infantil “O mistério do Cofre” – em seguida fui chamada a participar de um teste para o espetáculo infantil “Spray Doidão” – com essa peça eu percorri o país com minha trupe teatral em plena infância.
Muitas outras montagens se sucederam, mas foi com a adaptação de “A Megera domada” de William Skakespeare, no papel da protagonista “Catarina” – aos 14 anos – que conheci meus primeiros prêmios. Em 1998 fui premiada como atriz revelação no FESTA – e melhor atriz no Festival SESI Coca-cola de teatro.
Neste momento eu tinha ainda mais certeza de que o meu sonho que estava apenas começando – em 1999 mudei para São Paulo onde tive diversas oportunidade interessantes na TV, mas o teatro seguia sendo o meu grande amor e foi pra ele que voltei no ano 2000 – com então dezoito anos – entrei para o CPT (Centro de Pesquisa Teatral) do Diretor Antunes Filho – lá tive a oportunidade de ensaiar ao lado das grandes atrizes como: Juliana Galdino e Arieta Corrêa na peça “O jardim das Cerejeiras” e “Prometeu” no papel da IO.
Lamentavelmente,  Antunes desistiu de estrear estas montagens – mas foi um grande aprendizado porque hoje sei muito sobre a arte do ator e sobre a arte da vida. Nunca vou me esquecer dos ensinamentos do grande Antunes. Um verdadeiro mestre dos palcos que fez com que eu dividisse minha carreira de atriz em antes e depois de Antunes Filho.
Os nossos grandes atores passaram pelo palco – levaram multidões a platéia – e, deixaram para trás a si mesmo para levar ao outro aquele ser que surge quando a maquiagem começa a desenhar um alguém novo. Ali mesmo, na frente do espelho. Naquele canto de solidão tão necessário. E lançar um último olhar para si mesmo e dizer “adeus” ao que somos para dar as boas vindas a esse ser que se apodera das nossas vísceras.

Há toda uma nova geração de atores que parece recusar o teatro – talvez porque os palcos não brindem o ator com tanto brilho, glamour e, o que o palco nos oferece pode ser pouco para eles. Afinal, o teatro nos brinda com um público vivo – sentindo a nossa energia em cena – a nossa metamorfose. É uma doação plena, tanto de quem interpreta e convence quanto de quem assiste e se deixa convencer.

A televisão tem maior alcance, mas veja esses novos atores em cena, são mecânicos e se valem apenas de suas imagens – são atores – e, eu entendo porque alguns deles dizem não gostar de teatro. Porque na verdade, o palco não os querem, porque o tablado é um lugar sagrado. O olhar não está longe, alheio – está logo ali – podemos tropeçar nele. Com certeza não é fácil, mas quando ultrapassamos a barreira do incomodo – é simplesmente sensacional…

Eu sou vida e vida posso transformar quando nos palcos estou a pisar. Sim Teatro!

Pra sempre vou te amar.

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E ser feliz é fácil?

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“Tente ter amor pelas próprias perguntas,

como quartos fechados e como livros escritos em uma língua estrangeira.

Não investigue agora as respostas que não lhe podem ser dadas,

porque não poderia vivê-las.

E é disso que se trata, de viver tudo.

Viva agora as perguntas.”

Rilke

Hoje ao acordar um raio de Sol resvalou no piso da sala me fazendo sorrir – tem dias que é assim – qualquer coisa te alcança e a felicidade parece uma consequência natural…

Dizem que acontece mais facilmente quando se está apaixonado por alguém. Eu acho que é mentira. Acontece quando nos apaixonamos pela vida e sabemos que podemos fazer dela tudo o que queremos, de forma leve e intuitiva. Acontece quando nos apaixonamos por nós mesmos. E a solidão nos basta. É claro que a dois a felicidade pode ser mais completa, mas a solitude pode ser vista com beleza se nos conscientizarmos que o amor também pode se encontrar ali. Dentro da nossa própria essência. Um amor pleno e profundo por tudo que está à nossa volta. Olhando os elementos da natureza e a forma como o tempo insiste em passar por nós. Nossa pele, nossas rugas, o Sol, a Lua, as plantas, o ar, a brisa, nossos aromas, nossos sons internos. Nossa música, nossa arte. E assim também nossos amores… Eles devem vir para somar o que já se sente. Para aumentar ainda mais o estado inefável de beleza e cor.

O silêncio é lindo. Fechar os olhos e mergulhar em sua própria intuição. Saber tudo o que se quer. Um caminho sem volta para conseguir realizar todos os seus sonhos. Nossa intuição domina nossa mente, e esta domina nossas emoções que dominam nosso corpo. Portanto quando se quer algo, você simplesmente faz acontecer.

Ame quem quiser amar, fique triste se precisar. Em alguns momentos a tristeza é importante para que num próximo momento você aprenda a dar mais valor para esse estado de leveza e alegria que virá com certeza. Altos e baixos. Sem medos. Se desapegue de tudo que não lhe serve mais. Dê risada da vida. Ela é sua amiga, e você pode contar com ela. Trate-a com respeito e assim também ela lhe tratará.

Ser feliz é só querer. Se você quer você será.

Ser careca, ser feliz, ser atriz

“Vamos fazer assim, eu cuido de você, você cuida de mim.

Não desisto de você e nem você de mim.

Vamos até o fim.

Dá a mão pra mim.”

Lucas Lucco

 

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Recebi um convite muito especial para ser protagonista do clipe musical “Mozão” do novo álbum do cantor Lucas Lucco. Ao ler o roteiro me apaixonei na mesma hora pela oportunidade de poder viver uma mulher com câncer de mama. Uma história de amor, apoio e superação. E quem não sonha em viver um grande amor? Eu sonho. E foi uma delícia poder dar vida a isso.

Sou atriz. Nasci assim, não tem jeito. Com dez anos de idade já estava nos palcos representando vidas de personagens que ajudaram a ilustrar a mulher que me tornei hoje.  Não sei negar a oportunidade de um bom papel. E como geminiana, amo desafios.

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A cena de raspar os cabelos foi um presente. Mostrar apenas com o olhar, sem falas, sem sons, um turbilhão de sensações que se passaram em minha mente. Cinema mudo. Lágrimas no rosto. Eu olhava para o Lucas, que não é ator e ele chorava junto comigo. Toda a equipe emocionada. O pensamento em todas as mulheres que estariam morrendo naquele exato momento por causa do câncer de mama e na lembrança o meu pai, que falecera recentemente também vitimado por um cruel câncer.

Para a Tha, atriz, raspar os cabelos não teria tanta importância. Mas sei o quanto é difícil para quem sofre desta doença. E tentei me colocar na mesma situação para fazer esta cena. Entrega total. Doação. Meus cabelos por uma causa. Minhas madeixas em troca da informação através da emoção.

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“Muitas mulheres morrem simplesmente por ignorância. Por não quererem fazer o tratamento, por não quererem ficar carecas.”

Drª Elisa Neiva Vieria do Grupo Andanças

A revolta. Fiquei chocada ao saber de casos de mulheres que foram abandonadas por seus maridos. Não podemos generalizar, muitos companheiros são exemplares, mas soube de alguns casos em que a mulher não saía de casa, isolada. Desistindo do tratamento por questões estéticas e simplesmente morrendo desta forma. Tudo poderia ser tão mais simples se não houvesse tanto preconceito. Uma verdadeira falta de informação para estas mulheres e para seus parceiros. Vejo que a missão deste clipe foi justamente mostrar o lado oposto. O respeito, o companheirismo, a união, o apoio. Câncer de mama tem cura, e o primeiro passo é você saber disso.

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O prazer de fazer o bem é algo grandioso demais, e é neste exato momento que o trabalho deixa de ser só trabalho e se torna uma missão. Se comunicar em massa com a sociedade ao nosso redor através de uma mensagem, uma música e belíssimas imagens. Pois se há uma forma verdadeiramente eficaz em mudar o ser humano, é através do exemplo.

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Para mim, a sensação de ficar careca mostra uma mulher com atitude, força e personalidade. Mostra uma mulher que quer vencer, que não liga para o que os outros falam, uma mulher com a auto-estima lá em cima, repleta de confiança para vencer e lutar pelos seus sonhos. Mas entendo que para a personagem, ou uma paciente denuncia seu real estado.

É doloroso demais, pois traz o fantasma da morte.  A tristeza do adoecer acompanhada da possibilidade de morrer, isto assusta a todas sem exceção. A noticia da perda do cabelo é encarada com tranquilidade ate o momento em que ela realmente acontece.”

Drª Maria Elisa.

Infelizmente senti na pele o que mulheres com câncer passam, pois as pessoas nas ruas me olhavam de forma estranha, com pena, assustadas. Os rapazes não tinham coragem de olhar em meus olhos. Percebia a frieza dos meninos. De fato uma mulher careca os assusta. Algumas pessoas vieram chorando perguntar se eu estava doente. Achei engraçado, pois imaginei que se eu estivesse doente, com a auto-estima lá em baixo, todas estas situações serviriam para me deixar ainda mais abalada emocionalmente.

O clipe teve mais de seis milhões de acessos em menos de duas semanas. Estou muito feliz. Foi tudo feito com muito amor e carinho. Divulguem, compartilhem, passem adiante esta mensagem. Não sabemos como será o nosso dia de amanhã. E todos nós estamos sujeitos a passar por uma situação real e delicada como esta. Os homens e as mulheres precisam de mais informação. Menos preconceito. Menos preocupações com a estética, mais conteúdo, mais amor no coração. E é para isso que serve a arte. Já diria meu mestre no teatro Antunes Filho, que uma obra de arte, para ser arte, deve incomodar. O expectador pode nem sequer entender ou gostar, mas deve se sentir incomodado de alguma forma. Isso é arte. Quando se muda o ser humano através das emoções.

Assista ao clipe que cito neste texto.

 

Vendo este olhar preconceituoso, pensei em aproveitar o estado careca e fazer uma campanha de fotos na internet. Sem cachê, consegui a fotógrafa Bella Tozini, o fotógrafo Marcelo Hein, o ator Felipe Folgosi e o designer Guto Silveira para mostrar em fotos lindas com frases de impacto, uma campanha contra o câncer de mama. Estas fotos estão disponíveis para serem compartilhadas nas Redes Sociais. E prezam por mostrar a beleza de ser careca. Um detalhe importante, meus cabelos já haviam crescido um mês após as filmagens do clipe, e decidi por livre e espontânea vontade raspá-los novamente. Valeu à pena o resultado.

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“Câncer de mama tem cura: Você.”

Passe essa mensagem adiante!

*Dia 5 de fevereiro é o dia nacional da mamografia.

Uma conquista recente no Brasil.

Faça o auto-exame!

 

Pensamentos de uma atriz careca

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Toda vez que eu aceito um trabalho – entre outras coisas, eu sou atriz – tenho pra mim que viverei o meu melhor momento, por isso me dedico de corpo e alma as coisas que faço porque é como se eu dissesse as pessoas “aí vai o meu coração” e nessa profissão, como em qualquer outra, dedicação é substantivo próprio…

E foi exatamente assim que eu me senti quando recebi a proposta para gravar o clipe da música “mozão”. Havia uma imposição significativa: ficar careca. Não pensei imediatamente na estética – muito menos no dia seguinte a gravação. Tentei pensar apenas na história narrada pelos versos da música e, mergulhei na composição desse personagem.

Lembrei-me imediatamente de atrizes que aceitaram esse mesmo desafio e, de outras que desistiram no último segundo – porque não é fácil. Vivemos em um mundo de símbolos e seus poucos significados, tudo se limita ao julgo do outro… A profissão de atriz está diretamente ligada a sua imagem e, se olharmos esse mundo atentamente, veremos sempre mulheres com cortes cuidadosamente escolhidos para dar vida aos personagens, mas quantas vezes você viu uma atriz careca?

Ser atriz me permite ser muitas – uma faceta deliciosa, mas é mais ou menos como colocar uma máscara na face. Quando descubro o rosto o que exibo é uma mente e um corpo são – tudo se limita ao personagem, mas para ser essa outra pessoa precisei trazer para mim as sensações, os medos e os infinitos questionamentos que as mulheres enfrentam ao descobrir o câncer de mama. Não é fácil saber-se doente, enfrentar o tratamento, o medo e consequentemente a perda de cabelo. Sobreviver a doença é o objetivo, mas é preciso também sobreviver a dor, a solidão, a tristeza – a sensação de fracasso que toma conta do corpo…

Por tudo isso, digo com certeza que foi um dos mais belos trabalhos que realizei – e saio de cena sem me esquecer dos olhares surpresos e incrédulos porque infelizmente somos as roupas que vestimos, o corte de cabelo que escolhemos, as jóias que adornamos, as cores que preenchem nossa face, as rugas que se multiplicam em nossa pele. Só não somos de fato o que deveríamos ser: pessoas.

Eu digo com certeza que não sou a Thais de antes – sou outra porque a arte a qual me dedico me presenteou com essa possibilidade e como diz Rubem Alves em uma de suas crônicas: “ser bonito é uma coisa muito boa. É uma das maiores felicidades da vida. Mas essa é uma felicidade emprestada – porque ela mora nos olhos das outras pessoas. Eu não me basto. Eu preciso de algo que eu não tenho”.

*Fotógrafa: Bella Tozini

* texto escrito e publicado originalmente na Revista Plural – edição cafeína na veia/março 2014 que pode ser lida em www.pluralrevista.blogpsot.com

Assista ao clipe em que vivi uma mulher com câncer de mama.

A novidade era o máximo

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Quando Eva convidou Adão  a experimentar a tal maçã, Adão não sabia o que lhe aguardava… Alguns séculos de experiência se passaram e tenho certeza que Adão faria tudo novamente.

O Homem sem uma mulher em sua vida, não passa de um cadáver. Algo sem energia alguma.

É necessária a energia de uma mulher para impulsionar a vida de um homem.

A mulher é poderosa. E mesmo que a preferência sexual deste homem seja outra, é a mãe, a irmã ou a melhor amiga que farão este papel. Ou mesmo alguma musa que este homem tenha inspiração.

A mulher faz a vida pessoal do homem um caos ou um céu azul. Uma vida profissional produtiva ou não, basta o homem querer e deixar. Com uma mulher ao lado até a saúde do homem melhora. Depende da mulher! (risos) Cabe ao homem escolher bem a mulher que lhe impulsionará o sucesso em sua vida. Pois existem alguns fadados a escolhas fracassadas. Existem mulheres e homens para todos os gostos. E existem mulheres que não sabem o poder que possuem.

A mulher escolhe seu homem. A mulher ajuda seu homem a vencer na vida se quiser.

E a mulher deve saber que seu homem pode olhar para outras mulheres que também podem querer escolhê-lo. E para isso ele não precisa deixar de ser seu.

Se a mulher souber lidar com seu relacionamento de forma leve, com a amizade acima de tudo, a mulher saberá utilizar seu poder mandando sem mandar, amando e sendo amada.

Querido homem e querida mulher: não tente ser a novidade, que sempre é o máximo. Tente ser o companheiro, ou companheira que sempre será o melhor amigo, ou amiga.

Lembre-se: As paixões sempre acabam. Ou não? Tem paixões que duram na eternidade de Adão e Eva. Basta saber todas as horas de se entregar as maçãs.

* texto escrito e publicado originalmente na Revista Plural – que pode ser lida em www.pluralrevista.blogpsot.com

No caos eu vejo a esperança

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 Foto: Simone Huck

A vida é apenas um aglomerado de fatos aleatórios. Pessoas que se conhecem despretensiosamente, se amam em poucas semanas de convivência, e somem sem se importarem com os sentimentos que construíram. Tudo isso em poucos segundos de distração. Não há promessas. Nunca houveram. Há apenas um olhar no nada no meio da tarde. Um olhar no vazio quando se percebe que não se tem mais aquela pessoa que era tão próxima por perto. Cada qual com sua vida, cada qual com seu destino.

Eu olho para a rua e por muitas vezes não vejo nada. E minha esperança se alimenta do sonho de em meio ao caos de pessoas tão desinteressadas e desinteressantes, achar algo que se valha a pena amar.

Mentalizo que alguém de fato possa corresponder as altas expectativas que espero na cara metade. Quero ter fé de que o caos trará alguém especial embrulhado para presente com uma etiqueta em cima escrito: dentre tantos, este é aquele ser que você estava esperando.  Aí esboço um largo sorriso, e correspondo com o abraço apertado que quero dar naquele que merecer todo o carinho que eu tenho para entregar. Simples assim.

Simples?

Ops, nem um pouco. Mas não custa nada esperar.

E como diriam antigamente, enquanto não achamos o certo, vamos nos divertindo com os errados que pela vida aparecem. 🙂

* texto escrito e publicado originalmente na Revista Plural – que pode ser lida em www.pluralrevista.blogpsot.com

Simples Assim!

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A vida pra mim tem que ter intensidade!
Gosto de mergulhar de cabeça no novo e sentir toda vertigem que este salto provoca.
Viver é arriscar.
Eu mentalizo que vai dar certo e simplesmente faço acontecer.
Ficar parada esperando as coisas acontecerem definitivamente não é comigo.
Sou ar, apaixonada pelo movimento.
Viver é movimentar-se.
Instável, passional, adaptável, consciente.
Esta sou eu.
Mulher de fases constantes.
Mudo o karma da minha vida ao menos 1 vez por mês.
Planto novas idéias, novos amores, novas dores, novos sorrisos, mas tenho essa intensidade inquietante que faz de mim um ser único e especial.
Posso fazer escolhas.
Escolher é fácil.
Mas só sigo em frente se eu for escolhida também.

Abaixo a superficialidade!

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Tantas coisas se passaram…
O coração se dilatou e se estreitou algumas vezes…
Hoje eu sorrio ao final de muitas idas e vindas no amor.
A felicidade é inusitada.
Mostra sua leveza quando deixamos de pensar nela.
Ela apenas existe.
Eu queria ser menos tentativas e erros.
Quero buscar o acerto, a flecha certa. O pouso tranquilo.
Mereço respirar fundo e sentir o ar carregado de paixão pela vida, pela natureza. Por mim e por quem ainda vive.
Estou leve.
Aberta a encontrar o amor novamente.
Nunca deixei de amar. Mas busco um novo amor que me surpreenda.
Gosto de me sentir sem os pés no chão. Eixo revirado.
Paixão estalando no peito. Brilho no olhar. É tão bom!
E que viva a intensidade!
Abaixo a superficialidade!