Eternos Recomeços – Feliz 2017

 

O ano de 2016 foi repleto de aprendizados. Voltei para São Paulo após dois anos incríveis morando no Rio de Janeiro. Saí da capital carioca com a certeza de que já havia feito a minha parte na trajetória como atriz. Tive a certeza da missão cumprida. Às vezes é preciso voltar à trás para caminhar para frente, e então retornei para a escola que sempre amei em Moema, para o bairro paulistano que tanto me encanta com suas ruas arborizadas e pássaros a cantar. Voltei para a Nina, diretora linda e querida da minha escola que tanto me ensina a ser mais leve nos meus dias. Foi um começo de ano difícil, indo e voltando para Santos, ficando hospedada na casa de amigos, até que no mês do meu aniversário me dei de presente alugar meu cantinho, com o meu jeito, e é claro, com a minha família por perto. Todos acabaram retornando do “sonho colorido do Rio”. Hoje estamos juntos. Moro novamente com meu irmão e cunhada. E minha mãe está bem pertinho também. Essa união não tem preço. Estar próximo de quem se ama. E agora somos um time, uma equipe, e trabalhamos juntos na mesma escola. Crescemos e aprendemos diariamente. Nos tornamos mais amigos, mais pacientes uns com os outros, e tentamos respeitar a cada dia nossas diferenças. A convivência foi super necessária e com ela aprendemos a valorizar ainda mais o amor familiar. Uma amizade verdadeira pautada no zêlo, na observação, no “pensar com a cabeça do outro”. Neste ano me apaixonei, um tico, desapaixonei, bem rápido até. E também aprendi a continuar amiga e conviver com quem estive tão próxima. Hoje meu ex-namorado será integrante também de nossa equipe, e vamos trabalhar juntos no mesmo espaço, pelos mesmos ideais, e seremos felizes e unidos assim. Porque nem sempre tudo tem que ser do jeito que esperávamos que fosse, mas nos surpreendemos com o rumo das coisas. A vida sempre nos surpreende, pois quando perdemos algo que achávamos que queríamos muito, vemos que na realidade, esse algo, nem era tão legal assim. Enfim, muitas coisas boas aconteceram nesse final de ano, conheci pessoas importantes, que de alguma forma me fazem sentir que 2017 será realmente maravilhoso. Como se em 2016 eu tivesse reorganizado toda a minha vida pela bagunça que causei ao querer largar tudo e recomeçar do zero numa cidade que nem sempre me foi tão amigável. Estava antes como uma vida bem estável e próspera em São Paulo, e mesmo assim tive desapego suficiente para deixar tudo para trás e ir tentar a sorte no Rio. Foi bom, sempre é. E o mais importante foram os amigos que deixei por lá. Lembranças boas. E no âmbito profissional, hoje sou muito mais empreendedora do que atriz. Até porque a crise atual do nosso país, não está favorecendo nada o meio artístico… Infelizmente. Artista sempre serei, pois a arte está em minhas veias, mas hoje vejo na minha carreira no Método DeRose, algo muito mais promissor, estável e feliz. Busco por essa paz. E sei que em 2017 colherei ótimos frutos por tudo que plantei nesse ano que passou. Como um cisco, no tempo que não perdoa, nos segundos que se esvaem pelo vento… Estou recebendo esses primeiros segundos de ano novo com este texto. Sei que ele será o primeiro de muitos, pois minha maior promessa é voltar a escrever. E através da minha vida posta como livro aberto, poder ensinar e transformar vidas… Acima de tudo, através da minha escrita como catarse, posso remodelar a minha própria existência.

Minha vida é um livro (eternamente) aberto

Atriz Thais Barbeiro_Composite

 No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas

que o vento não conseguiu levar:

um estribilho antigo

um carinho no momento preciso

o folhear de um livro de poemas

o cheiro que tinha um dia o próprio vento…

Mario Quintana

Eu gosto do cheiro dos livros. Aprecio tê-los por perto… ao alcance das mãos e também dos olhos. E gosto, sobretudo, de escrever partes da minha vida neles, como se minha trajetória fosse um combinado de páginas em branco onde a minha vida se escreve…

Escrevo com prazer as minhas vivências… nem tudo eu publico porque há coisas que não devem partir de nós. Devem permanecer – preservadas – aqui dentro para que a gente perceba de quantas muitas histórias é feita essa caminhada. Há tanto por fazer, aprender, conquistar.

A vida é um livro aberto… folheamos nossos momentos – bons ou maus – e encontramos – durante as relutantes pausas – a poesia esquecida do existir. O tempo – esse senhor atrevido – fica para depois ou se conforma de ser uma página sendo virada nesse meu ritmo – intimo e pessoal – respiro fundo as alegrias, as tristezas.  Um exercício de vida.

Quando escrevo, revejo a mim mesma, como se ao me sentar em meu canto de mundo, eu soubesse ser meu único leitor… sou ao mesmo tempo a protagonista e a antagonista dessa história que se iniciou antes da minha consciência que despertou para ser essa história exposta em sussurros ao vento.

Se mais alguém além de mim vai querer ler… eu não sei!

Mas a vontade de escrever, não passa, pulsa cada vez mais intensamente e em cada toque da “caneta” junto ao papel, um sem fim de paisagens se orientam. Eu sou outra… a atriz que se deixa reinventar Clarice, Virginia, Emily, Drummond, Vinícius… sou todos eles, às vezes, sabendo ser apenas Thais, a pessoa que escreve, inventa, reinventa, interpreta… vive e escorre para dentro das páginas desse livro que sou!

 

Ensaio com a Fotógrafa Mariana Montrazi

Poesia, Paixão, Retratos de uma vida!

Ensaio com a MARAVILHOSA fotógrafa Mariana Montrazi. Retratista, ela consegue retirar o melhor da alma feminina. Sem maquiagem, sem produção, sem photoshop, apenas a essência poética de uma personagem real. Uma vida de verdade, rodeada por gostos, aromas, cores, luzes, sombras. O amor impresso pelos animais, livros e música. Ensaio regado a café, bom papo, e muitas risadas.

Conheça mais o trabalho de Mariana: SITEFacebook

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A minha realidade também é minha ficção

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Tenho duas experiências pessoais recentes para contar… estive ano passado a convite de dois grandes diretores para uma leitura de texto para a protagonista de uma série de TV… Eu não conhecia a personagem… e na primeira leitura… seria apenas eu mesma, me colocando de forma bem natural, nas situações que a personagem ia vivendo. Os textos eram impressos na hora, e eu lia o desconhecido, no escuro. Sem saber quem ela era, ou que situação viveria a seguir. Era apenas a Thais a tatear o texto… uma espécie de parede branca no escuro. Não fui aprovada para viver a protagonista. Um dos diretores disse que eu era meiga e simpática demais para viver aquele papel. Eu sorria muito… isso não agradou. A Thais que eu sou, ele não gostou. E eu não tive tempo de tentar ser a outra… tivesse tempo, o time da atuação faria a diferença. Vestir-se de alguém não é tão simples ou fácil…  a construção de um papel não é um gesto mecânico… Eu precisaria me trancar dentro de mim, em algum lugar secreto… para que a protagonista da história pudesse vir à luz da vida, como numa gestação que leva nove meses para que o parto aconteça… Esse tempo é o mesmo do ator… é necessário se preparar para mergulhar na vida daquela persona, sabendo o antes e o depois. A linha de pensamento… sua trajetória: seus amores, dúvidas, medos, ansiedades… o seu jeito de ser e enfrentar determinadas situações. E para TV e Cinema que possuem linguagens extremamente naturalistas, o tempo é curto — quase inexistente. E a demanda de atrizes querendo atuar é imensa… é muito mais fácil achar a atriz com o “jeito certo” para determinado personagem. Talvez por isso, muitos atores, em cena, representam a si mesmos e perdem a possibilidade de ousar, como outros tantos já o fizeram… Se vestirmos sempre os mesmos personagens em cena, qual a graça disso tudo? O mais divertido é poder ser muitas personas; muitos corpos, vozes. O que me leva a segunda história: fui convidada a fazer um espetáculo teatral, onde dobro o mesmo papel com outra atriz. Uma experiência desafiante… entrar em cartaz num processo já existente há anos. Tive apenas um mês de ensaios… e o resultado não poderia ser outro porque cada pessoa é de um jeito, e a personagem vai acabar diferente também por causa disso: um corpo diferente, uma voz diferente. Tudo muda, mesmo que as falas e as marcas sejam iguais, mesmo que a direção seja a mesma: você é outra pessoa. E definitivamente outro personagem nasceu de minhas entranhas. Uma vivência muito marcante… No processo de me preparar para viver algo, muito da minha realidade é deixada para trás, mas não tem jeito, muito do meu eu, também vai comigo nessa viagem…

Sobre o Espelho que sou

Atriz Thais Barbeiro_Por Jeff Porto_5

“O mundo é como um espelho que
devolve a cada pessoa o reflexo
de seus próprios pensamentos.
A maneira como você encara a
vida é que faz toda diferença..

Luís Fernando Veríssimo

Eu me olho no espelho, e percebo a passagem do tempo… as rugas, o olhar que já não é mais o mesmo. Alguns cabelos brancos que começam a surgir de maneira rebelde…Faço uma pausa para o chá… os olhos se fecham, sinto o vento tocar a pele… e um longo suspiro se precipita carregado de vivências.Tudo isso valeu à pena – sem dúvida – e, como na cena final de um filme da minha própria vida… me vejo olhando para trás. Recordo de forma saudosa todos os amores e as dores que tive. Olho fixamente nesse espelho, e crio pensamentos do que quero me tornar um dia. Sempre há tempo! É difícil conhecer-se bem – tão necessário – que parece uma conquista do corpo e também da alma… saber – com precisão – o que gosto e o que não combina mais comigo. Não existe um manual para saber-se – deveria, mas não há – por isso é preciso experimentar todas as coisas da vida. Estar aberto ao novo, e se permitir olhar todas as coisas, de um ponto de vista diferente… dessa maneira, as situações da vida que, pareciam tão improváveis, mostram-se corriqueiras. O ontem quando se veste de hoje se permitimos. É clichê, mas é verdadeiro: não somos mais o que éramos. E existe o fácil e o difícil? …de certa forma sim, porque depende da maneira como observamos as coisas. Se aprendemos ou não com os nossos erros e acertos. Se somamos os acontecimentos. Se prestamos a devida atenção nas oportunidades… se aceitamos ou recusamos o que a vida nos propõe. Eu sou o resultado de tudo que fiz até hoje… é através de tudo que fiz ou deixei de fazer que me construo e desconstruo um sem fim de vezes. Sendo outra… eu mesma… em cena, em textos alheios ou em escritos meus, na vida que imita a arte e vice e versa. Acredite: nem sempre estou satisfeita… às vezes, não acho justo o resultado final, de tal maneira que dá vontade de sentar e chorar – de raiva e ódio devidamente misturados – me inquieto… respiro fundo e como quem reflete, repasso milhares de vezes os meus passos – como um texto que se decora a exaustão das leituras – em busca de possíveis explicações para ser melhor numa próxima vez. Nunca há de me faltar dedicação.     Confesso, minha maior ambição é ser um dia quem ainda não fui… e meu maior desejo é ser o que o passado moldou através do tempo – muito mais forte – sempre… e assim sigo nesse ato de colecionar possibilidades, acumulando experiências.

Sobre transbordar…

Thais Barbeiro by Bella Tozini

Sonhei com a imagem de um caderno e suas linhas brancas… estava sobre a mesa, e parecia esperar por mim, como se me convidasse a escrever minha vida em suas páginas, derramando ali a minha essência.

Me senti transbordar em frases prontas e perfeitas como se minha mente tivesse aceitado o convite feito por ele…  imediatamente. A atriz que vive em mim, assistia — atenta — o movimento da caneta sobre o papel, como se fosse um personagem tomando conta da mulher que sou…

Eu gosto de escrever a olhar pela janela… percebendo formas inusitadas, figuras insossas. Os dias de sol e sua luz dourada resvalando em tudo, inclusive em minha pele… me inspiram. Sou toda alegria.

Também gosto de estar na companhia de meus três gatos, porque há algo de mágico em suas presenças. Eles me observam dentro do meu silêncio, devidamente compartilhado… como se as minhas primeiras notas fossem tomando forma dentro de seus olhos
agudos e calmos. Uma espécie de diálogo que culmina numa explosão de sentimentalidades várias…

Às vezes, fecho os meus olhos… respiro fundo e tudo se liquefaz em palavras que chovem junto a folha de papel. Uma a uma, vão surgindo.

Não sei dizer se escrevo por amar escrever… sei que o faço porquê de tão cheia, preciso esvaziar-me.

Texto publicado na Revista Plural – Rubem (Edição especial em homenagem a Rubem Alves – 2015)

https://scenariumplural.wordpress.com/

A arte de ficcionar a realidade

“Esta é a minha vida.
Este jogo conjunto.
Subimos todos juntos,
Em um navio que parte,
para longe, bem longe,
Para descobrir uma terra,
legendária e intacta…
Eu queria viver isso todos os dias,
até a minha morte.”

Ariane Mnouchkine

 Berliner Ensemble Sonnets stage B

Senhoras e senhores – eu os convido a conhecer o meu palco, onde deixo o meu grito e exponho a minha necessidade. Sou uma artista e minhas veias pulsam emoções muitas, de outros, de ninguém. Minhas, suas… como saber?

Eu alcanço o meu público sempre que as cortinas se abrem… através da palavra, do gesto, do olhar. Um único movimento meu, basta para transmutar a realidade, fazendo catapultar um novo estado de consciência.

É a minha maneira de abandonar a realidade dos homens… e te levar comigo para um estado de conforto, tão gostoso como um abraço. Uma viagem para além das coisa reais como as sabemos-conhecemos.

Quando eu piso no palco, sou outro eu…  o eu artista! O eu personagem.
Por alguns segundos, mergulho nesse universo novo, onde tudo acontece através do meu imaginário, que é essa aranha a urdir sua fina teia, que fisga fortemente todo aquele, que se deixa tocar por essa nova realidade, que começa a acontecer muito tempo antes desse encontro entre platéia e palco.

Primeiro o ator se dedica as experimentações, encontrando em seu corpo os muitos sintomas das emoções, que nem sempre são suas: leituras-pesquisas-movimentos-novos-pausas-reflexões-respirações… e a cada novo ensaio, o ator a tudo experimenta, provando de uma nova maturidade.

O ator-pessoa se deixa pelo caminho e vai se transformando em outra coisa,tão naturalmente, que é inegável que, em alguns casos, uma nova substancia nasce.

E o que o público colhe é justamente essa espécie de reinvenção de si mesmo.
Teatro é transe. Ritmo. Um corpo que baila virtuosamente no ar. Tudo gira. Tudo acontece. O ator e o palco são uma mesma coisa. Vitrine… e a melhor parte? É nos dar conta de que não somos nada-ninguém porque dependemos do nosso público, que chega sendo uma coisa e vai embora sendo outra… mas, para a satisfação do artista, leva consigo esse eco mundano-profano-vestido-esculpido-trabalhado que não deixa nada no lugar – tudo muda – inclusive a essência!

E quando os aplausos surgem no ar, é como um despertador a nos devolver o próprio corpo. A realidade e a ficção se tornam unas e a magia está completa.

Obrigada pela visita. Voltem sempre!

Por Thais Barbeiro

Texto escrito e publicado na revista Plural – Edição: Solombra – 2015

Acompanhe todas as publicações da revista plural em:

www.scenariumplural.wordpress.com

Edição: Lunna Guedes

O amor

O amor quando chega

Ele vem sem avisos

Cega os olhos

Cala os ouvidos

Estremece o corpo todo.

Instiga sorrisos

A gente sente e nem sabe

o que fazer com isso

Paralisia dos sentidos

Uma respiração longa

E o seu perfume no ar

Um segundo de ausência

E a saudade já dói de apertar.

Que bom amar,

venha para me inspirar.

 

Amor nos tempos difíceis da mentira fácil

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“Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?”

Luis Vaz de Camões

 

É muito complexo perder alguém que se ama. É péssimo saber que a pessoa amada já está com outra pessoa. Mais terrível ainda saber que este mesmo sujeito, mentiu, na melhor das intenções, é claro, para não te magoar. E é obviamente doloroso sentir-se traída. Quem nunca? Pois é…  Mentir para algumas pessoas é descomplicado. E isso tudo acontece nos melhores casais. E quem disse que relacionar-se é simples num mundo onde tudo e todos são meros brinquedos descartáveis? Usou, jogou fora, lavou, tá novo. Nos percebemos dando um valor extra-especial para quem não faz por merecer. E aqueles que vivem se derretendo em amores por nós, são rapidamente ignorados. É claro! As paixões arrebatadoramente impossíveis nos prendem muito mais a atenção com seus desafios diários, do que o cômodo carinho frouxo de quem se rende aos nossos pés. Não há nada mais insuportável do que ver a pessoa que se ama com outro ser, com os próprios olhos. E ter a total certeza de que você não foi o suficiente. Ser lindamente ignorada. Após tantos carinhos, tantas confidências e tantas demonstrações de afeto. Oh! Tanto tempo perdido… E a vida continua… Levantamos, sacudimos a poeira e damos a volta por cima como diria Paulo Vanzolini.

Chorei, não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim, não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava

Um homem de moral não fica no chão
Nem quer que mulher
Venha lhe dar a mão
Reconhece a queda e não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima

O tempo passa muito rápido

THA_LOPES-2652

Sim, todo mundo sabe disso… Já se tornou um cliché. Mas ultimamente tenho pensado muito nessa questão. Vejo que a semana começa e já termina num piscar de olhos. A velocidade que as coisas acontecem impressionam.
Há um conto do Monteiro Lobato, que diz que a vida passa num “pisco”. Você acorda, abre os olhos e nasce, depois pisca e já é criança, pisca e já é adolescente, pisca já é adulto, pisca já é um velho, até que fecha os olhos e morre. Sinto muito isso acontecer nos meus anos e semanas. Parece que acordo e é uma segunda-feira, onde quero começar um monte de coisas. Quando vejo já é sexta-feira, e o final de semana já chegou novamente. O tempo parece curto para o tanto que ainda quero fazer. E da mesma forma com os anos, que passam voando… O janeiro cheio de expectativas vira um morto dezembro no mesmo piscar de olhos… E cá estamos nós outra vez. O calendário dividindo os nossos dias e mostrando que estamos envelhecendo a passos rápidos. E que muitas coisas que sonhávamos fazer, ainda não fizemos porque ainda não deu tempo…
O que é esse tal de tempo? Ele nos aprisiona numa roda de começo, meio e fim chamada vida. E a vontade de aproveitar essa vida pulsa em nossas veias o tempo todo. Beber a sede da mudança. Mergulhar de cabeça no novo sentindo toda a vertigem que esse salto provoca. Vivenciar tudo aquilo que queremos sem ter medo de sermos felizes, porque quando menos esperamos o tempo, o vilão da história, já correu rapidamente. Essa ampulheta que mede cada grão de areia dos nossos tão valiosos segundos, vai caindo grão a grão e vamos olhando, observando. Como meros espectadores do universo. Muitas vezes inertes à sua força ágil.
Nossa ânsia de deixar uma marca poderosa nessa vida causa o tão falado stress que está em moda hoje. Bem como as angústias e depressões. Queremos viver para galgar os momentos mais felizes. Aqueles ápices de felicidade que estão presentes muitas vezes e nem os percebemos. Já outras pessoas se viciam nos momentos tristes, pois fazem questão de serem vítimas de suas próprias histórias…
As cartas estão dadas. Nossas escolhas fazem de nós quem somos. E a grande verdade é que se não colocarmos foco em fazer acontecer as nossas prioridades vamos continuar com a sensação de que estamos apenas piscando os olhos, e vamos morrer uma hora dessas sem deixar nada de muito importante para sermos lembrados.
Eu não quero isso. Eu faço minhas escolhas pensando justamente em deixar a minha marca para a eternidade. Espero ser lembrada de alguma forma, por boas atitudes e por conseguir servir de exemplo positivo para muita gente.
Eu pisco os olhos, e ao abri-los enxergo o meu mundo e a minha vida da forma como eu quero vê-la. Assim as rédeas do meu destino estão em minhas mãos.
Faça a sua escolha você também.

Lista de 10 dicas para o homem perfeito (Esse cara existe afinal?)

Esperando

1. O cara perfeito tem que olhar nos olhos com sinceridade no olhar, ter a pele perfumada e sorriso largo. Nem precisa ser tão bonito, mas o charme destes primeiros quesitos são essenciais.

2. O homem perfeito é aquele que não tem pressa em fazer as coisas, mas também não pode perder o timing perfeito. O tal “timing” é aquele momento mágico que não pode passar.  Incrível como a maioria dos homens de hoje ficam no 8 ou 80. E entre 8 e 80 existem milhões de possibilidades, mas nenhuma destas é tão boa quanto a hora certa. Sintam isso. Não tenham pressa mas não sejam lerdos! Pelo amor!!!!!

3. Tem que ligar no dia seguinte. Isso é o mínimo para se manter no jogo. Mandar mensagem no face, watts app ok. Mas ligar é melhor ainda. Old school sempre agrada. Mandar flores então, nunca sai de moda. Que pena que os caras de hoje não perdem mais tempo em floriculturas. As mulheres realmente adoram, e é infalível. Você realmente surpreende por não ser igual a todos os outros que não fazem nada disso.

4. Não seja um Looser! O cara ideal tem que ser mega inteligente, ter assunto. Mulher odeia homem burro. Estude, leia livros, viaje muito e tenha muitas histórias boas para contar. Não seja um alienado, não fale só sobre esportes, busque entender um pouco sobre cultura e por favor, ouça boas músicas! Nada do óbvio. Surpreenda sua companheira com sons incríveis que ela nunca ouviu antes. Apresente uma música de boa qualidade em seu spotify. É fato, isso conquista e não tem erro. Se você souber tocar algum instrumento musical ou cantar então, agrada mais ainda. Dançar também é ótimo, mulheres adoram caras que sabem conduzí-las mesmo com 4 ou 5 passos manjados das cantadas que todas caem. Mesmo assim elas gostam. Coisas sensoriais, são sempre bem vindas. Se souber escrever então… Elas vão amar…

5. Seja engraçado. Quesito essencial para uma relação ser leve, suave e dinâmica. Nunca se cai na mesmice quando as risadas estão presentes a todo momento. Ter aquele senso de humor na medida é sempre infalível. Sem exageros!

6. Cuide do seu corpo sem ser uma Barbie, ou um Ken. E pêlos para que tê-los! Depilação sempre é bem vinda. Mulheres contemporâneas não curtem mais homens peludões. O cigarro já caiu de moda faz tempo. Homens saudáveis são muito mais elegantes. Boa alimentação conta muitos pontos. E bêbados são pessoas extremamente chatas. Evite beber quando estiver com sua parceira, a não ser que ela goste de manguaçar junto com você, mas aí é uma outra coisa. Aqui falo dos homens charmosos que gostam de mulheres finas que não fazem este tipo de cena. E drogas, são uma droga. O homem perfeito não as usa, e está sempre viril e consciente de tudo o que faz, e seu bom humor é nato, ele não precisa de nada para ser assim, leve e engraçado.

7. Mantenha sua presença sem ser chato. E ciúmes nem pensar! Neste século que estamos essa palavra não deve mais existir no seu dicionário. Não precisa encher o watts app da sua gatinha de mensagens todos os dias 3x ao dia, como receita de antibiótico, mas reserve ao menos um momento do dia para dar aquela apimentada e manter a historinha acesa, mesmo que vocês possam se ver ao menos 1 vez na semana. Não passe disso, mulheres não ficam esperando o príncipe aparecer de 2 em duas semanas ou quando ele bem entender. Bem, mais uma vez, falo das mulheres que são porretas e não as submissas que têm paciência com este desleixo de comportamento dos homens que demonstram nível zero de interesse. Falo aqui das garotas que sabem quando um cara está interessado, e de caras que estão realmente interessados e querem ser os melhores parceiros para suas gatinhas.

8. Quando começar um namoro, tente postar fotos no facebook e mudar o status apenas se passar dos 3 meses juntos, ainda muito apaixonados, antes disso, mesmo se a garota quiser, não faça isso. É besteira. O prazo mínimo de 3 meses é um tempo ótimo para vocês saberem se a coisa vai realmente para frente ou não. E peça a garota em namoro quando quiser. Os caras de hoje não costumam mais fazer isso. Vão enrolando a história tratando a garota como se fosse namorada, apresentam para a família, amigos e tal, mas não assumem como namorado, é sempre um amigo. Não reclamem depois que tomarem um belíssimo pé na bunda quando ela arranjar um cara mais bonito e mais legal do que você. A mulher gosta que seu homem a assuma como sua companheira. Ficar por ficar ok, depende da relação, não importa o rótulo que o casal vai querer dar ou não. Mesmo uma relação sem rótulo deve ter algo que faça a mulher se sentir “A mulher”. Se ficar vazio, se ficar dúvida, tenha a certeza que ela vai arranjar outro para ocupar este lugar.

9. Não seja lerdo na vida! Curta levar sua gatinha para passear. Mulher odeia homem molenga, que só quer ficar na cama no final de semana vendo TV, estático. Se for pra ficar na cama, que seja para agarrá-la muito. E isso nos primeiros 3 meses já dá para saber, se existe uma química ali. Se não há essa pegação toda hora, é porque a coisa já começou fraquinha… Não tem muito futuro… E a missão da mulher é manter esta chama acesa o tempo todo, mas o homem também deve procurá-la, mostrar seu interesse. E quando o namoro se assumir e virar uma relação mais séria, que esta chama não se apague, aí os dois devem manter tudo funcionando o tempo todo. E se não virar namoro e se manter algo sem rótulo e casual, principalmente assim, a química deve suprir o lado livre da situação, que sem comprometimento algum existe por pura atração. Sem isso não há a menor graça! Fuja dessa história e saiba encerrar se não tiver química. Tanto o homem quanto a mulher não devem se enrolar um ao outro. O homem perfeito deve saber quando a mulher deve ser só uma amiga e cortar a relação antes que a garota se iluda com uma história insossa e desnecessária. Tenha a certeza que assim como você deve ter mais química com outras mulheres, a garota também deve ter muita química com outros parceiros.

10. Se está curtindo a garota, não desista. Mostre a ela isso. Faça as coisas acontecerem, e principalmente não marque algo, e fale que vai ligar e venha depois com uma desculpa esfarrapada de que não teve tempo, ou não deu, ou você teve que almoçar com sua mãe, sair com sua irmã, fazer uma viagem de família, ficou sem carro, ou qualquer desculpinha do gênero. O homem perfeito não se justifica. Ele aparece e te liga dizendo que está na porta de sua casa. Ele fala: desce, estou aqui te esperando, você tem 20 minutos para trocar de roupa e sair comigo. Vou te levar no cinema, vou te levar para jantar hoje, ou melhor ainda, vou fazer coisas incríveis com você agora. Ponto. Homens perfeitos são estes. Os que têm atitude. Os que se mostram capazes, combinam e cumprem. E mesmo que esteja no grande início de qualquer história, e que você nem saiba se vai gostar dessa garota ou não, não marque algo que você não vai cumprir. Chá de sumiço se paga com sumiço total. Adeus e tchau.

Texto escrito para o Coletivo Mude o Mundo.

 


Caos é tudo aquilo que a gente não entende

 

É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela cintilante.

Friedrich Nietzsche

 

Alice

Tenho o meu próprio mundo. Como o mundo de Alice, num universo que construo só para mim, cheio de versos, de brilhos e aromas. Um respiro. O momento de colocar algum caos em toda ordem sem reverso. Ser, quem eu quiser ser. Viver a pele de todas as personas que posso ter em mim. Estudar cada palavra, cada gesto de forma a encontrar algo singelo e lúdico neste coração. É mais fácil assim. Enfrento a vida de forma mais leve. No meu caos, sobrevivo melhor à realidade.

O reflexo no espelho, minhas sombras, meu corpo. Nada fica igual quando entro neste processo na construção de uma nova vida, dentro das minhas vidas já vividas. Sou uma personagem. Danço e canto no tablado: Nada era o que é, porque tudo já é o que não é numa fração de segundos. E o que não fosse, seria. Porque no meu mundo tudo acontece. Como num país de eternas maravilhas, corro contra o tempo, o meu tempo, o seu tempo, o tempo de todos nós. Piscando os olhos acordo de um sono profundo, renascimento de uma nova casca. Com entranhas e estômagos para respirar o alento das personas que crio dentro deste invólucro. Minhas máscaras. Como a borboleta posso ser a mais bela das viventes, explorando cores e suspiros, ou posso ser a morte, o medo e tuas mais diversas formas de insegurança. Não vejo nada, não sinto nada, e nada mais sou. Meus olhos se cegam como a tartaruga que entra dentro do próprio casco. Tiro férias momentâneas e me afasto de forma expontânia deste mundo e de mim mesma. Tudo programado, controlado. Consigo voltar na hora em que eu bem entender. Mas me divirto. Sou o som das batidas do meu coração. Um parto dentro do meu próprio corpo, e daqui parte um feixe de luz anáfana que brilha de forma intensa com uma energia surreal. Assim de forma inexplicável, conquisto platéias e multidões que aplaudem fielmente. Um público seleto de gente que paga para estar alí, brincando dentro do meu jogo, entrando na minha sintonia. Eu dou o rumo. E as pessoas me seguem. Elas simplesmente acreditam no meu conto, vivem a minha vida, sorriem e choram com todas as peripécias e desventuras que apronto. Brinco com as horas. Meu tempo é quando. E quando tenho tempo para viver neste plano novo. Reinvento o sempre, me dou para o presente. Quero e sou. Vivo e morro. Enterro as histórias e volto para mim. Em pé agradeço. E assim mais algumas horas de trégua, para tudo de novo voltar a acontecer. E em poucas horas novamente ali estarei, o público será outro. A energia será outra, e de uma forma diferente, viverei as mesmas coisas. Catapultando pessoas em memórias passadas e futuras. Tornando esta a minha própria história de vida. Sendo atriz. No caos, eu me renovo, eu me encontro, eu revivo, reinvento e confesso que não entendo o que apronto.

Texto escrito para a Revista Plural

E viva a democracia!

Brasil

E viva a pátria amada Brasil! Voto é secreto. Mas nas Redes Sociais todo mundo adora defender e fazer campanha gratuita a favor de seu candidato e contra os candidatos dos outros. E é óbvio que isso gera discussões, agressões e pessoas que brigam virtualmente. Melhores amigos que trocam farpas para defender seu direito de que o candidato x é melhor e que o y. E se a sua escolha não for igual a do seu amigo, ela se torna a pior escolha do mundo. Mas afinal, alguém tem certeza de algo? Vivemos com teorias, expectativas de mudanças em nosso país. E nestas épocas de eleições todos se tornam mais politizados. Até quem não lê jornais o ano inteiro, até aquele que vive alienado e só sabe das notícias do mundo via Facebook torna-se perito em escolher bons candidatos. Pois é… Não é tão simples assim. Em nosso país que viva a bagunça, que vivam as especulações e os dados em nuvens virtuais, onde não sabemos realmente quem é quem. Qual candidato está com mais ou menos chances? O que é real nos percentuais que aparecem por aí? Quais números podemos confiar?

Apostamos no escuro. E honestamente não vale a pena brigar com o colega em rede social por causa da sua escolha de voto. Escrevo este texto porque vejo isso todos os dias e já está ficando constrangedor. Vergonha alheia. Educação nas Redes Sociais já! Se você quer postar algo político, saiba que pode gerar curtidas de gente que pensa como você, mas saiba que está correndo o sério risco do seu familiar ou melhor amigo virar a cara para você na próxima esquina. Dramático não? É assim que estão as coisas hoje infelizmente.

O primeiro passo para sermos livres é darmos este direito de liberdade de escolha. Queremos muitas coisas. Cada um quer algo diferente para o país. Cada um vê os nossos problemas por uma ótica ou ponto de vista bem peculiar, mas todos concordam com uma única coisa: Educação, Saúde, Emprego e Dinheiro no bolso são essenciais. Como seria bom se essa balança fosse mais equilibrada por aqui. E digo uma coisa, não está desta forma infelizmente. Será que já esteve? Não sei. Não lembro. Acho que entra candidato e sai candidato e nada muda muito. O que mudam são as nossas esperanças. Elas se removam e uma eleição é tempo disso. Renovar as ideias, olhar para nossos umbigos e ver como estamos de verdade. E se queremos viver aqui neste Brasil, precisamos fazer muito por ele. A começar por nós mesmos. Não vai ser o presidente escolhido que vai educar você a ser mais democrático e respeitar a opinião do seu colega na internet. É você mesmo que vai fazer isso acontecer. Portanto fica a dica: Mude o mundo, mude o seu país, mas antes de mais nada, comece por você!

*Texto escrito para o Coletivo Mude o Mundo:

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Como viver um grande amor

Foi assim, eu vi você passar por mim, e quando pra você eu olhei, logo me apaixonei… Wanderléia

Uma história de amor1 (2)

Era uma tarde ensolarada onde duas crianças se olharam pela primeira vez. Ela, loirinha, olhos castanhos, pele branquinha. Ele, um menino claro com olhos azuis encantadores. Os dois sorriram, e já se sabiam amigos. Eram vizinhos. Moravam na mesma rua. Brincavam juntos todos os dias com o mesmo grupo de amiguinhos e primos.

Cresceram, viraram adolescentes, trocavam confidências e num baile de carnaval o sorriso virou um beijo e um amor nasceu ali. Um namoro de juventude cheio de brincadeiras e brigas da mocidade. Ele aprontava demais. Era um rapaz arteiro, bonito, cabeludo, motoqueiro. Anos 70. Tardes de pôr do Sol juntos. Viagens e muitos momentos de paixão. Assim passaram-se dez anos de romance. E entre tantas brigas infantis o namoro chegou ao fim. Cada um seguiu sua vida. A mãe da moça não gostava muito dele, queria algo melhor para a filha. Sonhava em casá-la com um rapaz rico, o que ele não era…

A moça por insistência da mãe ficou noiva de um outro rapaz, que já tinha uma profissão melhor e mais juízo. Estavam comprando os móveis para mudar. Iriam casar e morar em um apartamento em São Paulo, quando a moça soube por amigos que seu amor de infância sofrera um acidente de moto. Não pensou duas vezes, correu para terminar tudo com o noivo e foi em direção ao hospital. Ela soube que seu amor poderia ficar tetraplégico, pois havia sido muito grave. Viu o quanto o amava e só pensava na besteira que estava fazendo com sua vida escolhendo ficar longe de sua grande paixão por besteiras da juventude. Neste momento percebeu que não podia viver sem ele. E ao chegar no hospital pediu ele em casamento. Sem saber se um dia ele poderia voltar a andar, sem saber se um dia ele poderia se mover como antes. Ele aceitou. E ela ia todos os dias após o trabalho no hospital visitá-lo. Todas as tardes eram momentos para namorar seu grande amigo, seu grande amor da infância e adolescência.

Um ano se foi e ele continuava no hospital. Passou a mover-se. Ganhou uma cadeira de rodas e recebeu alta. O pai dele levava os pombinhos de carro para passearem todos os dias. Deixava os dois num banquinho da praia em Santos onde moravam e depois ia buscá-los. Isso era o namoro do casal. Logo ele evoluiu para muletas, e com muito amor pode voltar a andar normalmente.

Chegou a hora do casamento, tudo lindo, lua de mel na praia, foram morar num apartamento emprestado de frente para o mar. Um ano depois nasceu a primeira filha do casal. Sete anos depois o segundo filho. Passaram por momentos difíceis juntos, muita gente da família que foi embora cedo demais. Viveram uma vida rodeada de amigos. Uma família cheia de harmonia e alegrias. Altos e baixos financeiros, batalharam muito, depois de casados ele ainda fez duas faculdades. Contaram com a ajuda de toda a família em tempos difíceis.

Aos 55 anos, ele descobriu um câncer no esôfago, e ficou dois anos em um estado de alerta, onde todos os dias ela sabia que iria perdê-lo e ele sabia que iria perdê-la. Um cuidava do outro. Os filhos ajudavam, sempre juntos. Até que ele se foi para outros planos. E ela aprendeu enfim a viver longe de quem sempre amou, desde a infância. Reaprender a viver sem sua metade, tarefa nada fácil para uma vida que se completava ao lado do parceiro.

Um história de um verdadeiro amor. Com luta e determinação. Um exemplo de relacionamento, onde duas pessoas lutaram para ficar juntas até que a morte os separou de fato. Rumo certo do destino, a única coisa que todos temos certeza, é de que um dia iremos morrer. Portanto temos que fazer valer à pena cada momento, cada pessoa especial ao nosso lado, pois não sabemos o dia que ela não estará mais lá. Somos efêmeros. Feitos de carne e osso. E o que vale nessa vida são os dias felizes que temos a oportunidade de ter ao lado de quem amamos. Seja para não fazer nada, seja para fazer muito. Como sorrir, abraçar e beijar quem queremos bem. Tenho muito orgulho de ser filha deste casal, e ter vivido grande parte dessa história junto deles. Enfim, foi assim. Meus pais. Início da minha história. Fui feita nesse amor. Saudades do meu pai.

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Na foto, meus pais. No último aniversário de casamento que comemoraram juntos.

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Minha mãe nos dias de hoje. Meu exemplo de força e atitude.

Eu não mudo porque está ruim, mudo porque quero melhorar ainda mais

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A vida é movimento, e é nele que eu entro no jogo. Como se eu mergulhasse fundo nas emoções e descobrisse através da intuição o que precisa ser revirado do avesso. E nessa última semana foi meu aniversário. Dentre tantos recadinhos de parabéns, um me chamou mais a atenção. Uma pessoa me disse que me admirava porque todas as vezes que as coisas não estavam boas eu não tinha medo de recomeçar tudo do zero. Eu respirei fundo e disse para mim mesma – bonito isso, mas equivocado. As coisas estavam boas em minha vida sim todas as vezes que resolvi fazer grandes mudanças. Eu não tenho muito essa de que time que está ganhando não pode mudar. Eu tenho uma inquietação constante e sempre preciso mudar tudo, a cidade, a casa, as pessoas, os trabalhos, os ares e quem sabe até mesmo o país. Movimento gera movimento, desapego, mix de sensações de desprendimento com a ânsia do novo. Pessoas novas, vidas novas, novos aromas, novos amores. Mas definitivamente as coisas estavam bem. Eu morava em um super apartamento que era um achado, no coração de Moema em São Paulo. Tinha os melhores amigos ao meu lado. Trabalhava num local maravilhoso com pessoas ótimas, ganhava muito bem, tinha alunos inscríveis e super oportunidades de trabalhos na carreira de atriz, num local onde tudo funciona. Amo São Paulo e sua cor cinza. Gosto daquela cidade repleta de arte, cultura e lugares para se comer bem. Mas eu precisava de um movimento. A vida é muito curta para se viver a vida inteira no mesmo lugar. E eu tenho essa coisa com o mar… Não consigo ficar muito tempo longe dele…

A mudança deve acontecer sempre que as coisas caem na mesmice. É um colorido novo que damos para a vida. Você pode se aprofundar em suas relações sempre que elas estiverem estagnadas. Pode investir ainda mais em sua profissão sempre que você sentir que está acomodado na almofada fofa da inércia. O importante é ter metas. Ter sonhos e ir em busca deles. Conheço muita gente que parou no tempo. Não precisa mudar de cidade para isso como eu fiz. Esse foi o meu jeito drástico de lidar com minha inquietude constante. Coisa de geminiana mesmo. Mas você pode mudar a todo momento a forma de fazer as mesmas coisas que você faz. E se sentir que precisa recomeçar tudo do zero de um jeito diferente, não se ache instável por isso. Sinta que a vida é algo divertido acima de tudo. Você deve aproveitar a cada segundo a sua coleção de momentos felizes e fazer com que essas experiências aumentem cada vez mais. Você é o senhor de suas escolhas. Aprenda apenas a lidar com as consequências. E como diria Simone de Beauvoir: “Todas as vitórias ocultam uma abdicação”. Eu, Thais, escolhi o Rio, e temporariamente perdi São Paulo e tudo de bom que eu tinha lá. Agora de forma consciente faço do meu Rio o meu paraíso. O melhor lugar para se viver no mundo, você pode fazer o mesmo com tudo que escolher mudar. Basta querer. E fazer acontecer. A mágica está no ar. Use sua varinha de condão e descubra sensações inimagináveis conseguindo realizar tudo o que desejar. E feliz aniversário! Não sei se hoje, mas no dia do seu, lembre-se deste texto, pois já te digo com antecedência, a chance de mudar sempre é o melhor presente que você pode dar a você mesmo. Muda o seu mundo, e o mundo ao seu redor muda junto também.

Texto escrito para o coletivo Mude o Mundo: www.facebook.com/comeceporvoce